Violência Obstétrica

Uma reflexão de enfermagem

Autores

  • Irina Neves Dutra Centro de Investigação, Inovação e Desenvolvimento em Enfermagem de Lisboa (CIDNUR)
  • Sara Grácio
  • Cátia Lopes
  • Queila Guedes

DOI:

https://doi.org/10.53795/rapeo.v23.2023.27

Palavras-chave:

Violência obstétrica, enfermeiro obstetra, mulher grávida

Resumo

Nos últimos anos, Portugal tem registado um acentuado decréscimo da natalidade, associado à crescente medicalização do parto.
Isto coloca desafios à humanização dos cuidados de saúde materna.
As mulheres procuram cada vez mais partos seguros, que respeitem as suas escolhas e expetativas.
Destaca-se a importância de indicadores como a satisfação materna e a presença de acompanhante.

Objetivo: Refletir sobre o conceito de violência obstétrica, identificando indicadores da sua incidência nas instituições de saúde   

Método: Revisão da literatura com recurso à plataforma EBSCO HOST e Google Académico, bem como a exploração de websites de associações profissionais e de utentes, legislação e orientações de entidades de referência. 

Resultados: A violência obstétrica é definida essencialmente como um entrave à autonomia e liberdade da parturiente sobre si própria, estando relacionado com a prática de intervenções sem o consentimento da mulher durante o trabalho de parto.

Conclusão: Violência obstétrica não é definida por entidades de referência como a DGS ou a OMS, restando a evidência científica para a sua definição. Urge a necessidade de recolha e análise de novos indicadores como a satisfação da mulher com a sua experiência de parto e a presença de acompanhante, para se avaliar a prevalência desta problemática nas instituições de saúde.

 

 

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Ficheiros Adicionais

Publicado

2025-08-20